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Como provar que o sorteio da sua rifa não foi manipulado
Um sorteio é verificável quando o comprador confere o resultado sozinho, sem depender da sua palavra. Isso exige duas coisas ao mesmo tempo: uma fonte de aleatoriedade que você não controla e um compromisso público feito antes do sorteio. Com uma só das duas, não há prova, só promessa.
Por que “pode confiar” não é auditoria
A pergunta que o comprador faz não é se você é honesto. É se você teria como não ser, e ninguém descobrir.
Um mecanismo auditável responde essa pergunta sem falar de caráter. Se o resultado vem de um dado público que você não produz, e a regra que transforma esse dado no vencedor foi publicada antes, então não existe versão da história em que você escolhe o ganhador. A confiança deixa de ser necessária.
É por isso que “sortearei ao vivo” e “sou sério há cinco anos” não resolvem: os dois pedem confiança em vez de dispensá-la.
A fonte de aleatoriedade precisa estar fora do seu alcance
A extração da Loteria Federal é a fonte mais usada no Brasil, e por bons motivos: acontece em data e hora definidas por terceiro, o resultado é publicado oficialmente pela Caixa e ninguém que organiza rifa tem como influenciá-lo.
A mecânica, conforme a Caixa: cada extração sorteia cinco números de cinco dígitos cada (1º ao 5º prêmio). O calendário tem extração às quartas (QUARTOU) e aos sábados, além do ENRICOU mensal e do Especial de Natal.
Os cinco dígitos dão um espaço de 00000 a 99999, ou seja, 100.000 valores possíveis. Isso define o limite natural de uma conversão direta.
Por que a data importa tanto quanto o número
Amarre o sorteio a uma extração futura e nomeada no regulamento (“extração da Loteria Federal de 14/08/2026”). Amarrar a “a próxima extração” é frouxo, e amarrar a uma extração já ocorrida não vale nada: o número já é público, então você poderia ter montado a lista sabendo o resultado.
Como o número extraído vira número de cota
Não existe uma regra única. Existe a regra que você publicou, e é isso que a torna auditável. As duas mais usadas:
| Cenário | Conversão comum |
|---|---|
| Até 100.000 cotas | Os cinco dígitos do 1º prêmio são o número da cota. O prêmio 00000 corresponde à cota 100.000 |
| Menos de 100.000 cotas | Resto da divisão do 1º prêmio pelo total de cotas, somado a 1 |
| Mais de 100.000 cotas | Concatenação de dígitos de mais de um prêmio, na ordem definida no regulamento |
O item que quase todo regulamento esquece é o caso de borda: e se o número resultante não corresponder a nenhuma cota vendida? As saídas defensáveis são passar para o 2º prêmio, ou usar a próxima cota vendida em ordem crescente. Qualquer uma serve. O que não serve é decidir isso depois de ver o resultado, porque aí a escolha do critério vira a escolha do ganhador.
O compromisso anterior: fechar a lista antes
A fonte externa resolve metade do problema. A outra metade é provar que a lista de participantes estava fechada quando o sorteio ocorreu.
Sem isso, a fonte externa não ajuda: se você pode acrescentar uma cota depois de ver o número extraído, o resultado continua sob seu controle.
A forma técnica de resolver é publicar, antes da extração, um resumo criptográfico (hash, normalmente SHA-256) do arquivo com a lista final de cotas e compradores. O hash é uma sequência curta que muda completamente se qualquer caractere do arquivo mudar. Depois do sorteio, você publica o arquivo. Quem quiser confere que o hash do arquivo publicado é o mesmo que você divulgou antes, e conclui que a lista não foi alterada no meio.
Isso é auditável por qualquer pessoa com um computador, não exige confiar em você e não expõe os dados dos compradores antes da hora.
O que a transmissão ao vivo prova, e o que não prova
Prova: que houve um evento de sorteio, numa data, e que o vídeo não foi editado.
Não prova: que a lista estava completa, que os números não vendidos foram excluídos corretamente, nem que a mesma cota não foi vendida duas vezes.
A live é boa para percepção e é ótima como complemento. Como mecanismo único de auditoria, ela cobre a parte fácil do problema e deixa a difícil de fora.
Cota premiada exige compromisso próprio
Cota premiada dá prêmio no ato da compra, sem esperar o sorteio final. Ela tem um problema de verificação que o sorteio principal não tem: a lista de números premiados é definida por você.
O tratamento é o mesmo em espírito: feche a lista de números premiados e publique o hash dela antes de a primeira cota ser vendida. Sem isso, nada distingue uma lista sorteada honestamente de uma lista escrita depois de olhar quem comprou o quê.
O que publicar para o comprador conferir sozinho
Um kit de verificação completo tem seis itens:
- Data e identificação da extração da Loteria Federal usada, nomeada antes
- A regra de conversão, com o caso de borda resolvido
- O hash da lista de cotas, publicado antes da extração
- O total de cotas e quantas foram vendidas
- Depois do sorteio: o arquivo da lista, para conferir contra o hash
- O link do resultado oficial na Caixa, não uma captura de tela
Com esses seis itens, a verificação não depende de você responder mensagem.
Os três furos mais comuns
Regra de conversão publicada depois. Quase sempre por descuido, e destrói a auditabilidade inteira. Se a regra sai depois do número, a escolha da regra é a escolha do ganhador.
Extração já ocorrida. Amarrar a campanha a uma extração passada, ou não nomear a data. Anula a fonte externa.
Lista sem compromisso. Fonte externa impecável e lista aberta até o último minuto. A parte cara do problema fica sem resposta.
Por que isso vende a próxima campanha
Auditabilidade não é só higiene: é argumento comercial no único ponto em que o comprador hesita, que é achar que a rifa é armada. Uma campanha que publica os seis itens acima responde essa objeção antes de ela ser feita, e o comprador que conferiu uma vez volta com menos atrito na campanha seguinte.
Na Premium Sorte o sorteio pela extração da Loteria Federal e a publicação do resultado fazem parte da operação padrão. Se quiser ver como isso aparece para o comprador na prática, conheça a plataforma.